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Visão Sistêmica e Gestão de Desempenho

janeiro 2, 2019
Tempo de leitura 3 min

A falta de visão sistêmica e os guetos corporativos comprometem a gestão de desempenho

A deficiência de visão sistêmica nas empresas prejudica a produtividade e compromete a eficácia da gestão de desempenho dos colaboradores. Mas, muitas organizações ainda não se deram conta do quanto isso pode potencializar seus resultados.

Embora se fale muito em pensamento sistêmico, em visão de processos, em trabalho em equipe, o que ainda impera no contexto organizacional é a visão segmentada,  a desintegração entre áreas, a desconexão entre a alta cúpula e as bases, a desconexão das pessoas com a missão e os objetivos da empresa, sem contar a falta de conexão entre discursos e práticas.

Barreiras verticais

A desintegração entre áreas, as chamadas barreiras verticais, é um dos problemas que mais impactam negativamente a execução da estratégia e o alcance dos objetivos organizacionais.

Já atuei em dezenas de empresas, pesquisei outras tantas, ouvi outros tantos relatos de meus alunos nas turmas de MBA, sobre suas experiências nas empresas para as quais trabalham. Nunca encontrei uma que não tivesse problemas de integração entre áreas.

Gestores que se sentem donos de um espaço, de uma equipe, de um propósito, de uma verdade, de  um  conhecimento,  dão a impressão que a empresa é composta por “fatias” e que cada uma tem um fim em si mesma, quando todos deveriam servir ao propósito coletivo, entendendo que, muitas vezes, o melhor para uma área não será necessariamente o melhor para os resultados e objetivos organizacionais.

As próprias organizações são deficientes na comunicação e no engajamento dos colaboradores com seus objetivos e estratégias. A orientação dos colaboradores para o alcance de objetivos e resultados proporciona uma direção única a ser seguida por todos. É fundamental para nortear o desempenho das pessoas, permitindo a prática de uma gestão baseada ne meritocracia.  

A falta de integração e direcionamento único faz com que as lideranças conduzam suas equipes segundo suas próprias visões e critérios. Isso cria uma situação semelhante a um barco em que cada remador assume uma direção dificultando, muitas vezes inviabilizando, o percurso e a chegada.

Barreiras horizontais

Existem também as barreiras horizontais, que se formam entre os níveis hierárquicos da estrutura organizacional. As falhas de comunicação e de integração entre as camadas hierárquicas colocam uma enorme distância entre o que a alta gestão pensa e prega e os estímulos que chegam às bases, influenciando os pensamentos, as atitudes e os resultados dos colaboradores.

É muito simples identificar esse problema. Basta perguntar às bases qual é a visão de futuro da empresa, qual é sua missão, princípios e valores, para constatar como a grande maioria das pessoas não são tocadas por essas diretrizes, que deveriam funcionar como elementos de promoção de engajamento, de união de todos por um objetivo comum.

Guetos corporativos

Barreiras verticais e horizontais formam o que eu chamo de Guetos Corporativos. Verdadeiras ilhas dentro das organizações funcionando praticamente com um fim em si mesmas.

Toda essa desintegração culmina em uma gestão deficiente da força de trabalho. Causa sérios prejuízos no desempenho dos colaboradores. Pessoas mal gerenciadas dissipam muita energia, que poderia ser empregada para  maior produtividade e melhores resultados.

Denise Lustri,

Diretora da Cohros – Soluções Integradas de Gestão de Empresas e Pessoas. Mestre em Administração pela FEA-USP. Foi docente nos cursos de MBA da FGV e Fundace-USP. Co-autora do Livro “Cargos, Carreiras e Remuneração”. Editora FGV.

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