Gestão Estratégica de Pessoas

Gestão de pessoas na crise: profecia autorrealizável, efeito pigmaleão, teoria X e Y

abril 24, 2020
Tempo de leitura 9 min

Este artigo é a versão texto do vídeo “Gestão de Pessoas com Otimismo e Fé”.

Em tempos difíceis, em períodos de crise e incertezas, cresce a importância da Gestão de Pessoas. Nessas situações é preciso ter um olhar mais cuidadoso para as pessoas no contexto organizacional. É necessário um tratamento especial às práticas de Recursos Humanos.  Nesse sentido, retomamos aqui algumas teorias e conceitos, como o efeito Pigmaleão, o efeito Rosenthal, a profecia autorrealizável e a teoria X e Y. O objetivo é fazer uma análise de essas teorias e conceitos podem ajudar a atravessar este período, na superação de desafios e na busca de novos caminhos e soluções. Assista o vídeo que deu origem a este artigo ao final deste artigo.

Por que falar de gestão de pessoas com otimismo e fé neste momento?

Porque se a gente se entregar ao pessimismo, se a gente se apegar a visões negativas do futuro, elas podem se concretizar. Na verdade, elas vão se concretizar!

Por essa razão, as pessoas precisam manter o otimismo, enxergar coisas positivas nesse período de incertezas que estamos atravessando. Nesse cenário, as pessoas não podem se deixar dominar por sentimentos de insegurança e medo. E nós, profissionais de RH e líderes, precisamos atuar para minimizar todos esses efeitos!

O que estamos trazendo aqui não se trata de auto ajuda!  A Gestão de Pessoas com otimismo e fé tem tudo a ver com este momento de crise, de pandemia, de quarentena. Vamos então aos conceitos que, se aplicados na prática podem ajudar muito.

Profecias autorrealizáveis

Uma profecia autorrealizável é uma hipótese ou um boato que, quando se transforma em crença, provoca a sua própria concretização. Isso acontece porque quando as pessoas esperam ou acreditam que alguma coisa vai acontecer, elas agem como se essa coisa já fosse real. Consequentemente, aquilo que era apenas uma hipótese acaba acontecendo de verdade.

Teorema de Thomas

A proposição da profecia autorrealizável foi estudada no campo da sociologia e tem um nome – teorema de Thomas. O tema foi apresentado em um artigo publicado em 1948 pelo sociólogo Robert Merton.

Esse fenômeno comportamental foi estudado no campo da sociologia e psicologia. Nesse sentido, os resultados desses estudos comprovam que, se as pessoas acreditam que certas situações são ou serão reais, inconscientemente elas começam a agir de acordo com a sua crença e a situação se concretiza. Os exemplos de como esse fenômeno acontece está em todos os lados.

O “pânico do papel higiênico”

O “pânico do papel higiênico” é uma dessas situações.? Aconteceu no meio da crise do petróleo. Um boato se espalhou pela população de que iria faltar papel higiênico nos supermercados. Acreditando nisso, as pessoas começaram a comprar papel higiênico desenfreadamente. Consequentemente, aquilo que era apenas um boato acabou acontecendo de verdade. Isso faz lembrar de um fato recente relacionado ao álcool em gel. O boato era que o produto iria faltar. Acreditando nisso muita gente correu ao supermercado comprando volumes muito maiores do que precisavam. Consequentemente, a falta do produto se concretizou.

Esse fenômeno também está registrado no campo da economia. Se as pessoas acreditarem que um banco vai quebrar, mesmo com boa saúde financeira e liquidez, ele vai quebrar.

Uma coisa boa é que isso acontece para o bem também. Recentemente uma notícia de redução da propagação da peste chinesa na Europa, animou a fé aqui no Brasil. Qual foi a consequência? O Ibovespa subiu e o dólar caiu.

Efeito Pigmaleão

  “Quanto maiores ou melhores forem as expectativas que se têm em relação a uma pessoa, melhor será o seu desempenho”

Efeito Pigmaleão: provavelmente você já deve ter ouvido falar nesse termo. Mas, de onde surgiu essa expressão? A história de Pigmaleão foi contada pelo poeta romano Ovídio (43A.C. a 18D.C.). Pigmaleão era o rei da ilha de Chipre. Era um excelente escultor! Conta a história que ele esculpiu a estátua de uma mulher lindíssima, perfeita e se apaixonou por ela. Pigmaleão tratava a estátua como se fosse mesmo uma pessoa, Galatéia era o nome dela. Afrodite, a deusa do amor ficou penalizada e transformou a Galatéia em uma mulher de verdade. E fez do Pigmaleão um homem muito feliz!  Inspirado por essa história, Bernard Shaw, um dramaturgo Irlandês, escreveu a comédia Pigmaleão, que foi adaptada para o cinema no clássico My Fair Lady.

A força da crença em si mesmo

O filme My Fair Lady conta a história de uma florista simples, que tem um vocabulário pobre, cheio de palavras e expressões de baixo calão. Um professor aposta com um amigo que é capaz de transformá-la em uma dama da alta sociedade, e consegui o feito! O principal recurso que o professor utilizou nessa empreitada foi fazer a moça acreditar que ela realmente era uma lady.

Esta frase famosa de Henry Ford resume esse efeito: “se você acredita que pode ou que não pode, em ambos os casos você está certo.”

Efeito Rosenthal

O efeito Pigmaleão, na psicologia, é chamado de efeito Rosenthal, em virtude do estudo feito por Robert Rosenthal. Ele era professor de Psicologia Social na universidade de Harvard. Junto com Elenore Jacobson, diretora de uma escola pública ele realizou um experimento com estudantes em 1965.  

No início do ano letivo, ele aplicou, nos alunos dessa escola, um teste de QI. E então, ele informou os professores que 20% das crianças tinham alcançado pontuações mais altas nos testes. Em seguida, passou para os professores o nome de alguns alunos e garantiu que eles iriam ter excelentes resultados naquele ano. Os alunos não tinham conhecimento dos resultados dos testes.  

No final do ano, o teste foi repetido. E qual foi o resultado? Os alunos, indicados com pontuação superior no primeiro teste de QI tiveram um desempenho significativamente melhor no segundo teste.

Conclusão da experiência de Rosenthal

E por que isso aconteceu? Porque Rosenthal elevou a expectativa dos professores com relação àqueles alunos. Ao acreditar eles eram melhores os professores eram mais receptivos, mais encorajadores e se envolviam mais com o aprendizado deles. Isso criou um clima de afetividade, de cumplicidade, entusiasmo e confiança. A conclusão foi que tudo isso influenciou positivamente o desempenho desses alunos.

Teoria X e Teoria Y

Um pouco antes da experiência de Rosenthal, em 1960, Douglas MacGregor, publicava o livro “O lado Humano da Empresa”.O livro expunha as teorias X e Y.

Teoria X

Resumidamente a Teoria X sustenta que as pessoas não gostam de trabalhar. Encaram o trabalho como um mal necessário para poderem receber um salário. Se não tiver um chefe supervisionando,’ elas param de trabalhar.

Teoria Y

A Teoria Y sustenta o contrário: que as pessoas encaram o trabalho como algo natural. Nesse sentido, elas gostam de ter o que fazer, de assumir responsabilidades e sabem se autogerenciar. Também não dependem de supervisão para cumprir suas responsabilidades. Na verdade, elas fazem isso pela satisfação de fazer um trabalho bem feito. Elas buscam não só o salário, mas também buscam reconhecimento e possibilidade de evolução e crescimento.

Lições da Teoria X e Y

Os estudos de MacGregor mostram que gestores que se movem pela Teoria X acabam desenvolvendo equipes que demandam supervisão constante.

Do outro lado, os gestores movidos pelas crenças da Teoria Y têm equipes motivadas com o trabalho. As pessoas cumprem suas responsabilidades e apresentam bom desempenho, independente de um chefe supervisionando.

Os estudos de MacGregor mostraram não importava quais eram as motivações e os perfis das pessoas antes de trabalhar com esses gestores. De qualquer forma, elas normalmente se transformavam no tipo de pessoas que o gestor esperava que elas fossem.

Teoria X e Y – Efeito Pigmaleão / Rosenthal

Não é difícil enxergar nas teorias X e Y o efeito Pigmaleão (ou Rosenthal), que transformou a florista mal educada em uma dama da sociedade. Também está presente o efeito Rosenthal, em que os alunos tinham performance superior quando os professores acreditavam que eram mais inteligentes.

As lições dessa reflexão

Precisamos criar a uma profecia autorrealizável positiva. Isso quer dizer que precisamos acreditar num futuro promissor, desenhar esse futuro e fazer acontecer! No período de pandemias e quarentenas essa necessidade cresce exponencialmente!

Precisamos também unir a teoria Y a o efeito Rosenthal. Isso significa depositar nas pessoas a crença de que elas são capazes de acreditar e de construir esse futuro. Porém, tudo isso precisa ser praticado e fomentado pela empresa, pelas lideranças – desde a alta cúpula – e pelo RH.

Gestão de Pessoas com Otimismo e Fé

A gestão de pessoas com otimismo e fé era uma coisa muito necessária no momento que a gente está atravessando. Entretanto, não é necessária só para esse momento. Isso porque as lições desses estudiosos trazidas aqui são ensinamentos para a vida. Se você for líder, lembre-se que a sua equipe, em grande parte, é o resultado daquilo que você acredita que ela seja! Talvez seja uma boa hora para as lideranças reverem seu comportamento e suas relações com a equipe liderada.

Assista o video que deu origem a este artigo

Sugestão:

Se você for líder, não importa se sua equipe tiver três ou trezentas pessoas, seus resultados dependem em grande parte em na maneira com a qual você lida e se relaciona com a sua equipe. Nesse sentido, aqui vão algumas sugestões para você analisar sua própria performance como líder:

Responda estas três perguntas:

  1. Você acredita na capacidade da sua equipe em fazer o que precisa ser feito e gerar os resultados esperados?
  2. Você acredita que as competências dos seus liderados podem ser desenvolvidas?
  3. Você acredita na proposta da teoria Y?
  4. Quanto maiores ou melhores forem as suas expectativas em relação a equipe liderada, melhor vai ser o seu desempenho?
  5. Se as suas respostas às questões anteriores foram “sim”, responda: como você está expressando essas crenças em suas palavras e ações no dia a dia?

Denise Lustri – CEO da Cohros

Powered by Rock Convert

Você também pode gostar

Sem comentários

Deixe um comentário