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Promoção de Colaboradores: 5 erros a evitar na tomada de decisão

Promoção e carreira
Tempo de leitura 5 min

Uma das situações mais sensíveis no campo da Gestão de Pessoas são as decisões de promoção de funcionários. Isso porque elas afetam a autoestima e o bolso das pessoas, já que uma promoção, via de regra, vem acompanhada de aumento salarial. Por isso, é preciso que essas decisões se respaldem em fundamentos.

Entretanto, nem sempre esses fundamentos são bem definidos. E aí, consequentemente, os equívocos nas decisões de promoção são muito comuns nas organizações. Vamos abordar aqui os 5 principais:

1. Promoção por tempo de casa

O tempo de um colaborador na empresa costuma ser um fator que pesa muito nas decisões de promoção. No entanto, nem sempre os mais velhos de casa são os que mais merecem uma promoção. Muitas vezes, há pessoas que, apesar de estarem na empresa há menos tempo, produzem mais e melhor. Além disso, também podem apresentar um nível superior de competências nas três dimensões (conhecimentos, habilidades e atitudes/comportamentos).

Por isso, o tempo de casa pode ser considerado como critério adicional na tomada de decisão, como por exemplo, quando houver dois ou mais profissionais elegíveis para a promoção (isto é, profissionais que apresentam as mesmas condições requeridas pelo cargo objeto da promoção). Nesse caso, é natural que o mais velho de casa receba a promoção.

2 – Promoção por favoritismo

O problema do favoritismo é uma “doença” que acomete um número muito grande de empresas. Pode se manifestar de várias formas, como: favoritismo por maior afinidade com a liderança, por serem próximos do presidente, por terem laços de parentesco ou amizade com alguém importante na hierarquia organizacional, e assim por diante.

A questão é que esses favoritismos direcionam não só as decisões de promoção, mas as decisões de gestão de pessoas, no geral. Incluindo as decisões de salários, de treinamento, de reconhecimento, de desligamento, entre outras. (Inclusive, se você quer saber mais detalhes sobre o tema, veja este vídeo!)

Ou seja, a decisão da promoção de funcionários nessas condições sofre forte influência de motivações pessoais, podendo mostrar o poder de quem a toma ou servir para agradar a pessoa agraciada, para punir algum desafeto e outros tantos interesses. Vale destacar que seja qual for a motivação o fato favorecer alguns em detrimento de outros, é prejudicial, não só para os colaboradores, mas para a própria empresa!

3. Promoção para evitar um desligamento

Tomar a decisão de promover um funcionário para evitar seu desligamento é realmente uma tentação, principalmente, quando bons colaboradores pedem demissão. Até porque todos sabemos que dá muito trabalho encontrar profissionais qualificados e com perfil alinhado à cultura da empresa. Além disso, o desligamento de bons colaboradores sempre provoca rupturas de relacionamentos, interrupção de processos, de projetos.

Entretanto, essa é uma medida que só se deve tomar em casos muito especiais (ou seja, naqueles casos em que o profissional seja muito estratégico e o desligamento dele gera um custo estratégico alto para a empresa). Isso porque a mensagem passada para os que permanecem na empresa é: pedir desligamento é uma maneira de pressionar a empresa em troca de algo, o que cria um ambiente negativo. Além do que, tem a questão dos custos, pois o aumento de salarial sempre acompanha as promoções, e são custos que podem não estar previstos no orçamento.

4. Promoção de quem “chora” mais

Esse é outro erro muito comum… As pessoas que se expõem mais, que se articulam na defesa dos seus interesses, aparecem mais, consequentemente chamando mais a atenção das lideranças e dos tomadores de decisão na empresa. E mesmo sem que haja uma intenção explícita, as decisões acabam sendo influenciadas por essa pressão.

O que significa que as pessoas que aparecem mais tendem a ser mais indicadas para promoção, mesmo havendo na equipe outras pessoas que produzem mais e são mais talentosas, mas que não se expõem, não se exibem, nem pressionam! Quem já não se desmotivou ou assistiu alguém se desmotivar ao ver uma pessoa recebendo uma promoção sem merecer? Quem perde no final é a empresa!

5.Promoção com base na percepção

E se você quer promover funcionários intuindo ou com base na percepção, temos outra decisão equivocada. Embora muitos saibam que a percepção sempre sofre a influência de vieses subjetivos, ainda não se dão conta do quanto as percepções podem não corresponder à realidade.

Por isso, infelizmente, as decisões baseadas unicamente em percepções, opiniões e sentimentos ocorrem com muita frequência. Muitas vezes existe uma falsa impressão de estar tomando a decisão certa, por considerar o resultado das avaliações. Por outro lado, a gente sabe que, de maneira geral, os resultados dos processos de avaliação são cheios de subjetividade. E essa é a realidade em um número muito grande de empresas!

Como evitar decisões erradas na promoção de funcionários?

A única forma de evitar esses erros na promoção de funcionários é estabelecer regras e critérios mais objetivos e justos. Critérios que possam dar mais segurança e clareza para orientar as decisões. Não só as decisões de promoção, mas decisões de salário, de reconhecimento… Na verdade, critérios mais objetivos e justos devem orientar praticamente todas as decisões de gestão de pessoas.

Esses equívocos nas decisões só podem ser evitados, se as regras e critérios estiverem fundamentados por um bom plano de cargos e salários e por um sistema eficaz de gestão de desempenhos e competências!

Uma boa base de people analytics é necessária para decisões mais justas e meritocráticas!

Denise Lustri

CEO da Cohros. Mestre em Administração FEA/USP

Instagram: @deniselustri

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